

*Colaboração: Luan Mender, psicólogo no projeto CAIS
A produção artística sempre se mostrou como uma porta muito potente de expressão e transformação, não só no campo individual, mas também coletivo e comunitário.
Com certeza, o fazer artístico se mostra como um dos grandes caminhos de intervenção e avanço na jornada dos indivíduos e suas formas subjetivas de estar no mundo, inclusive quando falamos de contextos onde existem atravessamentos de vulnerabilidades diversas, violências e falta de acesso a direitos, como é o caso da população em situação de rua.
Toda a equipe do projeto CAIS - Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social na Política sobre Drogas e os trabalhadores no espaço do canto da rua, sentem e comunicam o quanto é emocionante ver a transformação real na vida dos participantes a partir das oficinas de expressão artística, musicais, visuais, escritas, de dança, enfim…
A equipe do Cais reforça que “Atividades como essa operam na direção da redução de danos, um pilar importantíssimo na política de drogas e na proposta do CAIS. O grupo tem mostrado nas produções e nas músicas, bem como nas artes visuais e escritas o quão gigantes e incríveis eles podem ser."
Independente da situação de rua em que estão, são sujeitos de Direitos, com histórias muito únicas, e com muito a oferecer e ensinar. São pessoas Lindas, como todas!
Luan Mendes, Psicólogo atuante no projeto CAIS , reitera que a arte, em todas as suas formas, e a oportunidade da expressão artística, operam como ferramenta fundamental no trabalho realizado pelo Projeto! “A arte traz alegria, cor, potência e beleza, mas também é um espaço importantíssimo para o contato com partes difíceis, dolorosas e complexas da vida humana, que precisam de espaço para elaboração e expressão, pois nem sempre a linguagem falada dá conta disso, e isso é algo fundamental para que a saúde aconteça.
Além disso, o psicólogo reforça também que o acesso à arte e à cultura não deixam de ser um direito fundamental e uma oportunidade de socialização da cultura popular. Opera fortemente no fortalecimento de vínculos comunitários, na recuperação da autoestima e no fomento do protagonismo social e da expressão e participação na cena política. Pode ser inclusive uma forma de geração de renda muito justa.
Luan conta que percebe que as letras que surgem na oficina de produção musical proposta enquanto espaço de expressão e redução de danos, eles representam um pouco da realidade que experimentam na rua, a vivência no contexto dos territórios em que transitam, falam das violências experimentadas por conta do racismo estrutural existente na sociedade, da marginalização dos sujeitos e dos corpos, do estigma vivenciado pela pop rua, enfim, algo que é fruto de uma “necropolítica”, que atinge fortemente o nosso coletivo humanidade, pontua Luan.