

Entre os dias 6 e 8 de fevereiro de 2026, foi realizado o Seminário Regional da Pastoral do Povo da Rua do Regional Sul 4 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro reuniu representantes das dioceses de Criciúma, Rio do Sul e Lages, além da Arquidiocese de Florianópolis, no Recanto Champagnat, em Florianópolis (SC).
A programação foi organizada com momentos de oração, estudo, partilha e encaminhamentos. Luiz Kohara, da assessoria da Pastoral Nacional do Povo da Rua e equipe da CF 2026, conduziu sua reflexão a partir da metodologia Ver, Iluminar e Agir, articulando análise da realidade, fundamentação à luz da fé e proposições concretas para a ação pastoral junto à população em situação de rua.
No momento do Ver, foram apresentados dados sobre a realidade da população em situação de rua, os limites das políticas públicas e os desafios enfrentados nos territórios. Foram retomados avanços como o Decreto 7.053/2009, que instituiu a Política Nacional para a População em Situação de Rua, e outras normativas recentes, além das dificuldades de implementação nos municípios.
Na etapa do Iluminar, os participantes refletiram sobre a dimensão social da fé e a responsabilidade da Igreja diante das estruturas que geram exclusão. A reflexão dialogou com a compreensão da pastoral social como dimensão socioestrutural da caridade cristã, destacando a centralidade da dignidade humana e o compromisso com a transformação das realidades que produzem violações de direitos.
O momento do Agir foi dedicado à construção de propostas e encaminhamentos por diocese. As equipes partilharam experiências locais, desafios e perspectivas para fortalecer a presença da Pastoral do Povo da Rua, ampliar a articulação com outras pastorais sociais e intensificar a incidência nos espaços de controle social.
A palestra de Francisco Nascimento (Chico), da Coordenação do Conselho Nacional de Direitos Humanos, realizada de forma online, aprofundou o tema “Moradia como direito humano”. A partir de referências filosóficas e do campo dos direitos humanos, Chico apresentou a moradia como elemento estruturante da vida humana. Recordou que a casa não é apenas abrigo físico, mas espaço de proteção, identidade, privacidade e construção de vínculos.
Ao tratar dos direitos humanos, destacou que eles não se reduzem a declarações formais, mas se concretizam em processos de luta pela dignidade. Nesse sentido, ressaltou o protagonismo da população em situação de rua na organização de movimentos e na construção de políticas públicas, como a própria Política Nacional para a População em Situação de Rua.
Chico também apresentou o histórico do modelo Moradia Primeiro (Housing First) no Brasil, sua inclusão em normativas federais e as experiências em andamento em diferentes cidades. Explicou os princípios do modelo: acesso imediato à moradia permanente, suporte individualizado, integração à comunidade e articulação com as políticas públicas. Foram abordados ainda os limites sistêmicos das políticas públicas, como a exigência de endereço fixo para acesso a serviços, e os desafios para consolidar a moradia como política pública prioritária.
A reflexão apontou que o acesso à moradia deve ser compreendido como porta de entrada para os demais direitos, possibilitando o cuidado com a saúde, a retomada de vínculos familiares, o acesso ao trabalho e à educação.
As dioceses que já tem experiência com a moradia para a população em situação de rua apresentaram suas experiências e algumas das pessoas incluídas na moradia deram seus depoimentos sobre a importância de morar em uma casa e como foram seus processos de transição e superação da situação de rua.
O seminário foi encerrado com plenária e celebração de envio, reafirmando o compromisso das dioceses do Regional Sul 4 com a presença junto à população em situação de rua e com a promoção de ações que contribuam para a superação dessa realidade.