

Irmã Cristina Bove e Rafael Fonseca (Movimento População de Rua) representaram a Pastoral Nacional do Povo da Rua, no painel "População em Situação de Rua: Caminhos para a Dignidade Humana, Inclusão Social e Requalificação dos Espaços Públicos". A conversa integrou a programação do evento Pacto pela Savassi, organizado pela Associação de Moradores da Savassi (AMOSAVASSI).
Realizado no Auditório do Colégio Santo Antônio, o encontro reuniu lideranças do poder público municipal, do legislativo, do judiciário, de movimentos sociais e sociedade civil, a fim de compreender o cenário nacional e estadual sobre a população de rua, os desafios e a importância do trabalho coletivo para fortalecer ações para que mais pessoas saiam da condição de vulnerabilidade.
Para Cristina, a metodologia da Pastoral Nacional acredita na acolhida como primeiro passo, para construir uma relação de proximidade e confiança com os invisibilizados pela sociedade. “Nossa metodologia é de um urbanismo de aproximação, de forma horizontal, corrompendo o caráter assistencialista. O intuito, antes de mais nada, é que tenhamos espaços de diálogo, escuta e acolhida. Outra questão relevante para a Pastoral é desenvolver processos de transformação social. Olhamos não apenas para as necessidades do indivíduo, mas a longo prazo, com a articulação de políticas públicas para a superação da situação de rua.”
A história do Rafael é um exemplo dessa estratégia. Criado em uma família de classe média, ele perdeu os pais antes da maioridade. Sem contato com os demais familiares e o abandono dos estudos, Rafael passou a viver sem estabilidade financeira, indo parar nas ruas de Belo Horizonte. Um período onde vendeu tudo o que ainda lhe restava, para fazer o uso de drogas. “Conheci os equipamentos da prefeitura para a população de rua. Logo depois, cheguei na Pastoral. Fui verdadeiramente acolhido. Consegui minha casa por meio de política pública de habitação, tenho carro. Coordeno o Movimento População de Rua e participo do comitê de segurança alimentar municipal e estadual. Hoje, eu procuro fazer o mesmo com quem está à margem; ouvir, oferecer um abraço. Pode ser tudo o que aquele ser humano precisa naquele momento.”
Pacto pela Savassi
O Pacto pela Savassi, uma iniciativa voltada à dignidade humana, está ancorada em três passos: o Centro da Esperança será um espaço para receber pessoas em vulnerabilidade. A proposta também prevê o Caminhos da Esperança, de reinserção social. Por fim, a realização de um plano de revitalização do espaço público.
De acordo com Helênio Soares, as conversas com Paulo César, promotor de justiça do Ministério Público de Minas Gerais e irmã Cristina, foram essenciais para a elaboração de um projeto objetivo e capaz de organizar a solidariedade. “A Amo Savassi realizou um levantamento recente e constatou 48 pessoas em situação de rua. O nosso compromisso é substituir cem pessoas sem teto em cem pessoas com teto. Ou seja, 100 tetos, cem oportunidades e cem novos recomeços. A solidariedade abre portas, a autonomia transforma vidas e a convivência urbana consolida essa transformação. O Pacto pela Savassis foi concebido com começo, meio e fim, tendo metas claras, critérios de ingresso, acompanhamento permanente e uma capacidade previamente definida”, explica.